for you

É meio complicado falar do outro. Se ele está apenas sendo analisado pela sua pele, aquilo que os meus olhos podem (conseguem) ver. O bom dessa história toda sobre conhecer e não conhecer as pessoas é a desculpa pra ficar cada vez mais perto delas, apenas por ficar.
Eu poderia sim falar muitas coisas sobre você, coisas que você nem imagina que eu sei ou que alguém saiba. Mas não porque você me contou ou porque os seus amigos te deduraram, simplesmente porque nos conheciamos antes (eu acho).
Uma das coisas que deve saber é sobre esse mundo mágico que é o meu; filosofias... musicas ... histórias... contos... dramas mexicanos... poesias... prosas... cartas... sonhos... danças e amores.
E pensa bem: você é feito de tudo isso, ou pelo menos muito disso. E como se eu tivesse inventado você, a sua forma de vida, o seu carater, seus dedos, seus olhos, seu sorriso. Seria eu DEUS? Acho que não, talvez eu tenha simplismente sonhado.
Então conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava. Conta por que nada do que diz sobre você me parece novidade, como se eu estivesse lá, nos lugares que relembra, quando eu sei que não estive. Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos. Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos. Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala. Conta de onde vem a intuição da sua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos. Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci. Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos. De que ouvimos muito além do que dizemos. De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias. Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda. De onde vem essa oração que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo dia você possa dormir em paz. Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem essa repentina admiração tão perene. De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem. Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo me parece que já era também no meu. De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro. Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar. Conta pra mim por que, por mais que a gente viva, alguns sentimentos nos surpreende tanto toda vez que vem à tona.
As vezes eu queria que você pudesse se ver através dos meu olhos, você ia gostar. É especial. Incrivel.
Parece que muitas das cartas que escrevi e nunca enviei foram escritas para você, era como se o seu sorriso fosse o motivo de toda noite eu querer dormir só para poder sonhar.

Eu sei que é daquele sorriso que minha alma precisava.”

Era como se eu andasse por ai procurando por alguém que sem querer encontrei em você. Mas quem eu procurava? Porque o achei em ti?
Um dia resolvi tentar me livrar de você, passei o dia evitando que você invadisse a minha mente, daí penso coisas bobas quando, sentada na janela do ônibus, depois de trabalhar o dia inteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr,
e penso de novo em você. Na maneira como me faz rir sem nenhum esforço, da maneira como ganha a minha atenção mesmo quando está de costa, na maneira como deixa ensolarado o meu dia quando me dá um abraço.
Acho que você deve saber o quanto me perturba a ideia de você precisar ir embora. A ideia de te deixar por alguns minutos. Eu queria roubar o seu sorisso pra mim, ai talvez não sofresse tanto com a sua partida e ficaria menos ansiosa com a sua chegada.
Você se tornou pra mim um vicio, uma história, uma canção, um poema ... e como todas essas coisas você passou a ser meu dia de sorrisos, de esperanças, de verdades.
Porque você não precisa me ver pra saber o que há comigo? Porque o meu riso forçado ou envergonhado já te dissem alguma coisa? Nesse tempo não fui só eu quem se assustou com a similaridade das almas, você também. Aje como seu eu fosse pedaço de você, como se os seus olhos sempre se encaixaram nos meus, como se o seu abraço fosse moldado pra ser meu ... as pessoas abraçam metades ... mais você consegue me abraçar inteira e ali naquele abraço me sinto perfeita.
E eu já decidi; quero você aqui, no meio das minhas coisas, meus livros, discos, filmes, minhas ideias, manias, suspiros, recortes. Respirando o mesmo ar e todas coisas que alimentam àquela nossa, tua, minha inesgotável saudade, que parece infinita pelo menos pra mim. Entra, não pergunte se pode ficar. Vem e fica. Porque eu abri a porta pra você entrar,troquei sorrisos com o seu olhar, que olhava o meu, querendo o seu mais perto.

Um comentário:

Marcela Alves disse...

Oi flor!

que belissimo texto, confesso que fiquei com os olhos marejados por ser tão parecido com a minha historia de amor.
Voce conseguil dizer tudo o que acontece entre eu e o homem da minha vida.
É uma dadiva conseguir escrever como voce escreve..

beeijos!

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