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um conto

já pensou se, de supetão, acordamos? você começa a ouvir os sonzinhos da manhã e pensa em mim, parece que sonhou, mas não consegue se lembrar bem com o quê. como é que começamos com esse romance? tenta recordar capítulo a capítulo, perdidos da memória, gibi, olhares, deus, éden, praia, fundão, o apocalipse, adormece com a mão no ventre... acorda de novo, hum que saudade, cobre os olhos com um turbilhão quem vem de araçatiba, tudo lindo e bruto. meu deus, o que que é isso! resolve deixar um recadinho na internet. mas que estranho, não tem nenhum recado meu, procura entre seus contatos, mas não estou lá. pensa: “estranho, por quê que ele se excluiria?” resolve mandar um recado mau criado, mas também não estou na lista do messenger. ah! o que será que está acontecendo? será que ele está chateado comigo? começa a se lembrar do que fez, do que fizemos juntos; não é possível. tem um pressentimento de que algo muito errado está acontecendo. lembra das fotos palavra por palavra “cheirinho de entardecer, na janela um silêncio, a espera, tudo calmoso... de súbito arrastam continentes, transtornam qualquer caminho, sufocam o dia seguinte com a memória de corpos profetas”. ele é mau comigo - o que está acontecendo? lembra do bilhetinho que ganhou pela janela do ônibus, para rir peixinhos beliscando pés, traga-me o apocalipse... esquece o resto, vai pegar a carteira, procura o papel dobrado, “bilhete rasgado”, sorri de ter lembrado mais um pedacinho; mas onde está?! resolve tirar tudo da carteira, e nada! aquela sensação de tem-alguma-coisa-errada sobe pela espinha como uma escuridão, parece que seus fantasmas estão de volta. procura as pessoas em casa, para perguntar se alguém mexeu na carteira, mas ninguém sabe de que bilhete você está falando... claro. lembra então: as fotos! volta ao computador, mas a pasta 15/09 não está lá. abre o email, não está lá também. mil explicações absurdas começam a tomar conta do seu dia, será que Deus resolveu brincar com coisa séria... será que alguém fez isso... será que me drogaram? ou enlouqueci. tenho que esperar a noite, na faculdade ele vai ter que me dar uma boa explicação. ah, quanta saudade... quanta espera, quantas teorias... chega cedo na faculdade, olha na biblioteca, ninguém, vai na cantina, nada, laboratório de informática, claro que não, mas aproveita para checar mais uma vez a internet, o orkut, o msn, fuxica tudo, não acha nada, se perde no tempo e nem sinal dele. quando vê a hora, a aula já deve ter começado! entra na sala, está todo mundo, menos quem procura. senta-se entre mariana e patrícia, pergunta a elas, mas elas não sabem de quem você está falando. você conta a história, elas riem, não entendem nada, acham que você está inventando tudo, você se irrita, mariana te diz que não tem nenhum tiago na turma, que hoje é dia 11 de agosto, alô, retorno do recesso. você se lembra de tudo, mas não aconteceu. como pode? nunca existiu palavra alguma, nem mãos e nem um amor bruto... e sua vida, lembra?, começa a voltar, é mesma, nada mudou, vai se lembrando de suas preocupações reais, com Deus, com a igreja, com a desculpa que vai inventar hoje... que peninha. de repente, acorda, ufa! foi um sonho, corre para o calendário, mas ainda é dia 11 de agosto de novo. não se lembra do rosto que buscou, os fragmentos do sonho vão se dissipando, só sobra um gosto de sombra na boca. segue o dia normalzinho até esquecer tudo. à noite, na faculdade, entra na sala, tenta se lembrar do sonho para contar para as meninas e não consegue, deixa para lá...então, não existe, nada disso aconteceu; sua vida tem o mesmo agosto. volta para casa com vontade de dormir mais, de preferência sonhar. na manhã seguinte, desperta tranquila sem resquícios, agradece a Deus por tudo, mas-porém-todavia nenhum sonho estranho, nenhuma brutalidade, segue a vida. mas seu corpo está inconformável, ao sair na rua, os olhos buscam o intangível.
mais um dia no esquecimento.
então a noite, eu entro na sala. lá você está. seu corpo, reconhece, mas você, friorenta e inane, não acredita em mágica, ainda. eu logo te reconheço, já abençoado com o dom de capturar o inefável. e digo a mim mesmo, paciência, paciência; melhor começar com uma provocação: você lê um livro em vinte minutos?, que mentira, gibi não conta, menina...




esse conto foi escrito pelo meu namorado, logo no começo do namoro.
fazer o que, ele é o meu livro favorito.

Cinderela às avessas

Não contam os contos de fada
que o príncipe não quer namorada
nem procura num cavalo branco
o pezinho da sua amada...

Não contam os contos de fada
que à meia-noite o feitiço não se acaba
e que a princesa não precisava ir embora
nem esquecer o sapatinho na escada




Não contam os contos de fada
que nem toda canção de baile é valsa
e que nem todo reino vai à festa
disputar a atenção da Vossa Alteza

Não contam os contos da fada
que de madrinha ela não tem nada
pois onde já se viu calcular nas horas
o tempo de encontrar um grande amor?

Nos contos as fadas também não contam
que a abóbora nem sempre é carruagem
que o cetim é só uma camuflagem
apenas beleza exterior

A porta trancada, a fada não abre
o quanto chorou, a fada não sabe
o que se sujou, a fada não limpa
A canção que tocou, a fada não rima...

Não é tão má a madrasta
Nem tão boa a princesa
Tampouco é florido o caminho da floresta
Por onde passa toda a realeza

As fadas ainda não contam nos contos
Que o certo é o imperfeito
Que é desencanto o grande encanto
E que não há verdade sem direito


Com sua licença, senhora fada
Conto neste conto que, de boba, a princesa não tem nada
mas quer, para cada pergunta, uma resposta
Porque é do sapo que ela mais gosta....










Um conto ?


já pensou se, de supetão, acordamos? você começa a ouvir os sonzinhos da manhã e pensa em mim, parece que sonhou, mas não consegue se lembrar bem com o quê. como é que começamos com esse romance? tenta recordar capítulo a capítulo, perdidos da memória, gibi, olhares, deus, éden, praia, fundão, o apocalipse, adormece com a mão no ventre... acorda de novo, hum que saudade, cobre os olhos com um turbilhão quem vem de araçatiba, tudo lindo e bruto. meu deus, o que que é isso! resolve deixar um recadinho na internet. mas que estranho, não tem nenhum recado meu, procura entre seus contatos, mas não estou lá. pensa: “estranho, por quê que ele se excluiria?” resolve mandar um recado mau criado, mas também não estou na lista do messenger. ah! o que será que está acontecendo? será que ele está chateado comigo? começa a se lembrar do que fez, do que fizemos juntos; não é possível. tem um pressentimento de que algo muito errado está acontecendo. lembra das fotos palavra por palavra “cheirinho de entardecer, na janela um silêncio, a espera, tudo calmoso... de súbito arrastam continentes, transtornam qualquer caminho, sufocam o dia seguinte com a memória de corpos profetas”. ele é mau comigo - o que está acontecendo? lembra do bilhetinho que ganhou pela janela do ônibus, para rir peixinhos beliscando pés, traga-me o apocalipse... esquece o resto, vai pegar a carteira, procura o papel dobrado, “bilhete rasgado”, sorri de ter lembrado mais um pedacinho; mas onde está?! resolve tirar tudo da carteira, e nada! aquela sensação de tem-alguma-coisa-errada sobe pela espinha como uma escuridão, parece que seus fantasmas estão de volta. procura as pessoas em casa, para perguntar se alguém mexeu na carteira, mas ninguém sabe de que bilhete você está falando... claro. lembra então: as fotos! volta ao computador, mas a pasta 15/09 não está lá. abre o email, não está lá também. mil explicações absurdas começam a tomar conta do seu dia, será que Deus resolveu brincar com coisa séria... será que alguém fez isso... será que me drogaram? ou enlouqueci. tenho que esperar a noite, na faculdade ele vai ter que me dar uma boa explicação. ah, quanta saudade... quanta espera, quantas teorias... chega cedo na faculdade, olha na biblioteca, ninguém, vai na cantina, nada, laboratório de informática, claro que não, mas aproveita para checar mais uma vez a internet, o orkut, o msn, fuxica tudo, não acha nada, se perde no tempo e nem sinal dele. quando vê a hora, a aula já deve ter começado! entra na sala, está todo mundo, menos quem procura. senta-se entre mariana e patrícia, pergunta a elas, mas elas não sabem de quem você está falando. você conta a história, elas riem, não entendem nada, acham que você está inventando tudo, você se irrita, mariana te diz que não tem nenhum tiago na turma, que hoje é dia 11 de agosto, alô, retorno do recesso. você se lembra de tudo, mas não aconteceu. como pode? nunca existiu palavra alguma, nem mãos e nem um amor bruto... e sua vida, lembra?, começa a voltar, é mesma, nada mudou, vai se lembrando de suas preocupações reais, com Deus, com a igreja, com a desculpa que vai inventar hoje... que peninha. de repente, acorda, ufa! foi um sonho, corre para o calendário, mas ainda é dia 11 de agosto de novo. não se lembra do rosto que buscou, os fragmentos do sonho vão se dissipando, só sobra um gosto de sombra na boca. segue o dia normalzinho até esquecer tudo. à noite, na faculdade, entra na sala, tenta se lembrar do sonho para contar para as meninas e não consegue, deixa para lá...então, não existe, nada disso aconteceu; sua vida tem o mesmo agosto. volta para casa com vontade de dormir mais, de preferência sonhar. na manhã seguinte, desperta tranquila sem resquícios, agradece a Deus por tudo, mas-porém-todavia nenhum sonho estranho, nenhuma brutalidade, segue a vida. mas seu corpo está inconformável, ao sair na rua, os olhos buscam o intangível.
mais um dia no esquecimento.
então a noite, eu entro na sala. lá você está. seu corpo, reconhece, mas você, friorenta e inane, não acredita em mágica, ainda. eu logo te reconheço, já abençoado com o dom de capturar o inefável. e digo a mim mesmo, paciência, paciência; melhor começar com uma provocação: você lê um livro em vinte minutos?, que mentira, gibi não conta, menina...



escrito por: Tiago de Paula (meu namorado)
          para: Thais Allana   ( eu )


Eu te amo, amor!

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