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“Qual o desejo 'mais íntimo, mais desesperado' de meu coração?”

Hoje na faculdade estava lendo o blog da Liddell (muito bom por sinal) e fiquei intrigada com essa pergunta, fiquei imaginando qual seria o desejo do meu coração e durante uma aula chata de politica ambiental eu fiquei com esse pedaço do texto dela na minha cabeça:

"Mas antes de definir qual é o seu sonho mais desesperado, lembre-se da sua história, do seu contexto. Nada é o que parece, tudo é derivado de várias situações. Nem todos nós temos o coração puro, nem todos nós somos órfãos, nem todos nós fomos maltratados na infância." Liddell

Vamos fazer uma brincadeira eu conto aqui o meu sonho mais desesperado e você me conta o seu?
Mas não esqueça de ler bem esse pedacinho do texto antes, refletir e refletir para depois responder.

Enfim vamos ao meu sonho mais desesperado.
Conhecer, ver a face de Deus.
É meio louco mais sempre sonhei com isso.
Agora me conta o seu, ok?

Ah! É não esqueçam de visitar a Liddell, o blog dela é demais ... super original, lá me sinto no país das maravilhas.

íntimaADORAÇÃO

Outro dia estava lendo o livro 'íntimaADORAÇÃO' de Daniel Branco e me deparei com um fato contado por ele que me deixou impressionada e que me tomou de grande compaixão.
Gostaria de compartilhar com vocês.
E ele começa assim o primeiro capitulo do livro:

Alguns anos atrás, no segundo ano do meu ministério, numa manhã de sábado, estava em minha casa estudando quando, em determinado horário, um irmão foi a minha casa me chamar desesperado, pois havia acontecido uma tragédia na casa de uma das famílias de nossa congregação. Levantei-me rapidamente e acompanhei aquele irmão.
Próximo à casa dessa família, havia uma grande aglomeração de pessoas e também a presença da polícia. Ao entrar na casa, vi aquela irmã segurando as mãos de dois de seus filhos mortos no chão. As crianças estavam balançando em uma rede, que estava presa em uma coluna de concreto, e aquela coluna cedeu sobre elas e matou-as instantaneamente. Ao ver aquela cena, minhas pernas bambearam.
Quando olhei para aquela irmã, ela afirmou algo de que nunca mais me esqueci em toda minha vida. Ela me disse: "Pastor Daniel, quem nos separará do amor de Deus? Será a fome, a nudez, o perigo da espada?" E la terminou dizendo: "Nada me separará do amor de Deus". Não tive palavras. Eu estava perto de uma parede e fui descendo e escorregando, coloquei minha mão no ombro dela e não pude me conter: comecei a chorar. -íntimaADORAÇÃO, Daniel Branco-

Depois de ler esse texto fiquei impressionada com o amor dessa mulher por alguém que ela não vê, seus filhos estavam ali mortos na sua frente e mesmo assim ela não se revoltou com o Autor e Dissipador da vida.
Fiquei perplexa e chorei de emoção me imaginei perdendo alguém que amo tanto e o que eu seria de capaz de fazer em tal momento.
Será que eu ficaria contra Deus?
Será que seria como essa mulher que logo se apegou nos braços do Espírito Santo e foi consolada e teve consciência de que nada é maior que o amor de Deus?
Me peguei pensando nisso durante dias e ainda estou impactada.
Quero ter uma fé igual, um amor igual ao que essa mulher teve.

E no fim, É o coração que sente Deus e não a razão.  
 

Suave Amiga

"E eu pensarei: Que bom nem é preciso respirar..."
Cecília Meireles



Não fui ao teu enterro,
Suave Amiga.

Os enterros,
eliminei-os de minha vida
para que possa
lembrar vivos
os meus mortos.

Quando os vejo morrer,
ou lhes velo os despojos,
ou os acompanho
em seu último
e inútil passeio,
eles se vão pouco a pouco
fazendo-se imparticipantes;
deixam-se frios e reservados
como hóspedes
de uma longuingua Marenbad.

Sim,
Suave Amiga,
muito esnobes
ficam os mortos
para meu gosto.

Prefiro pensá-los em viagem,
capazes de
inesperadamente surgir
em minha imaginação,
como sucediam
no meu tempo; vivos, itinerantes,
sempre partindo
e sempre de volta.

(...)

Em algum lugar
andarás agora,
Suave Amiga,
algum Nepal,
a te moveres entre templos
levada pelo ímã
do teu olhar de prata.

Em algum lugar
estará acontecendo
o teu silêncio,
a tua sombra,
a tua dúvida.

Ora deves parar
em doce postura
para ouvir de algum velho monge
fórmulas mágicas
capazes de mobilizar o tempo,
dar voz às rosas,
transformar tudo em distância;
ora ensimesmar-te
diante de horizontes infinitos
até a evaporação
total da carne
feita bruma,
feita nuvem,
feita pólen lunar:

bruma, nuvem, pólen
habitados
por imensos olhos
verdilúcidos
a caminharem
para a grande treva fluida
esgarçada de véus brancos.

Suave Amiga,
que saudade antiga...

(...)


Suave amiga,
que cantiga triste...


Que triste história
a não contar mais nunca,
essa do tempo que passa
do teu vulto avançando
na penumbra da sala
para logo se perder.

da luz de teu sorriso
e da calma dos teus olhos
sem paz...

Não importa
onde estejas agora,
nos caminhos do Sinai
tangendo estrelas,
ou a dormir num aquário
no fundo de um lago,
a graça de teu vulto
acompanha nossos passos.

(...)

Um dia,
quando menos esperares,
estaremos a teu lado.

E eu sei que,
inclinando graciosamente
o corpo sobre o abismo,
vigiarás nossa escalada e,
no último lance,
nos darás a mão.

(...)


Rio de Janeiro - Novembro de 1964
Vinicius de Moraes
Ode a Cecília Meirelles









Lembrei de você quando li essa crônica do Vinicius
Me bateu aquela saudade meio café com leite,
aquele café com leite que só você tem.
Passei enfrente a casa onde você morou
ainda na esperança de ver aquele copo de geléia
de goiaba sujo de café em cima do muro,
mas para minha saudade gritar, ele não estava lá.
Pensei em chamar mas sabia que não seria você
que ia gritar: " Já vai! "
Também sabia que você não ia me mandar entrar
" Entra Thaizinha, faz tempo que você não vem me visitar. Que saudade de conversar."
Realmente faz tempo que não vou te visitar, por onde você deve andar?
Que saudade de conversar. Onde eu vou me esconder agora?
Sua casa era o meu refúgio favorito, seu quintal, sua sala,
seus quartos, seu banheiro, sua cozinha era tudo a sua cara
tinha tudo o seu cheiro e eu gostava muito disso.
Faz tempo que não penso em você, não porque eu tenha
esquecido mas sim porque eu evito pensar, a saudade não é minha companheira favorita.
Dessa vez não deu para escapar, quanto tempo faz?
Um ano? Dois?
Não sei me perdi no tempo depois que você se foi,
quem me falava os dias, as horas era você, lembra?
Faz tempo, muito tempo que você não está, que você se foi e que não vai voltar.
Queria que você conhecesse meu namorado, fosse no meu casamento,
na minha formatura na faculdade, visse os meus filhos crescer,
queria te ver em cada conquista minha e chorar no seu colo - colo com cheiro de café, cada tristeza.
Ainda lembro de você, perfeita e alegre, zueira e desbocada.
Você faz falta, deu pra notar né?
Tô te devendo um beijo, smack, bem estalado pra você.

Assim que eu puder, daqui uns 60 anos, eu vou te ver
Eu juro não vai demorar, vai passar rapidinho
E eu logo vou te abraçar, minha amiga com cheirinho doce de café
misturado com o de um cigarro bem vagabundo.

De: Thais Allana Martins para uma amiga café com leite e cigarro que já se foi.

Sigam - me os bons